Entre a escola e o babaçu
colonialidade curricular e acesso à educação formal das quebradeiras de coco babaçu
Palavras-chave:
Colonialidade Curricular, Quebradeira de coco, Acesso à educaçãoResumo
O acesso à educação formal tem se mostrado um desafio, especialmente entre comunidades e populações tradicionais, como as quebradeiras de coco babaçu. Para além do acesso, existem dificuldades estruturais de adaptação das práticas pedagógicas em relação à construção curricular que respeite seus modos de vida tradicionais. Nesse sentido, o artigo tem por objetivo geral analisar em que medida as políticas educacionais brasileiras garantem às quebradeiras de coco babaçu o acesso à educação formal em consonância com suas especificidades socioculturais e epistemológicas. Trata-se de um estudo qualitativo, pois pretende-se compreender as subjetividades e os fenômenos sociais. Assim, o procedimento adotado foi a revisão bibliográfica de autores que discutem epistemologias e legislação, além do uso de relatórios e dados de bases oficiais. O estudo teve como resultado que a educação formal ainda se mostra um desafio, tanto do ponto de vista do acesso quanto das construções curriculares. Conclui-se que o acesso à educação, embora reconhecido como direito fundamental, ainda não se efetiva de maneira plena e contextualizada às especificidades socioculturais das quebradeiras de coco babaçu.
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