Sem terrinhas em movimento pela resistência do acampamento Zé Maria do Tomé-CE
DOI:
https://doi.org/10.18764/2358-4319v19e28257%20Palavras-chave:
infância sem-terra, educação do campo, práticas educativasResumo
Este artigo analisa as práticas educativas desenvolvidas pelas crianças do Acampamento Zé Maria do Tomé-Chapada do Apodi (CE), no período de 2015 a 2019. Partindo do pressuposto de que a educação é um fenômeno social que transcende os espaços formais de ensino, o estudo investiga como as ações, interações e saberes produzidos coletivamente pelas crianças neste período constituíram-se em poderosos mecanismos de resistência e fortalecimento do Acampamento Zé Maria. Trata-se de uma pesquisa participante, com abordagem etnográfica, na qual se observou um grupo de 12 crianças ao longo destes quatro anos. No recorte histórico realizado, examinou-se que as crianças, longe de serem meras espectadoras do conflito agrário e da luta contra o agronegócio na região, são agentes ativas na (re)produção da cultura, da memória e dos valores do acampamento. Conclui-se que suas práticas educativas foram fundamentais para a construção da resistência do coletivo, garantindo a perpetuação dos ideais de luta e reafirmando o papel da infância como sujeito histórico central nos movimentos sociais.
Downloads
Referências
ALMEIDA, Rayane Rocha; ROCHA, Nara Maria Forte Diogo; COSTA, Maria de Fátima Vasconcelos da. O assentamento rural como contexto das práticas lúdicas intergeracionais: a negociação entre a tradição e o novo na recriação de brincar. In: COSTA, Maria de Fátima Vasconcelos da; PEREIRA, Jaquelândia Aristides; SANTOS, Núbia Agustinha Carvalho; ASTIGARRAGA, Andrea Abreu; SILVA, Maria Saraiva da. (Org.). Infância e relações etnorraciais em pesquisa. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2017.
AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE O USO INTENSIVO DE AGROTÓXICOS NO CEARÁ. Fórum Cearense Pela Vida no Semiárido, 2015.
BOEMER, Júlia; CONDE, Soraya Franzoni. A auto-organização infantil como potencialidade para a formação humana. Nova Revista Amazônica, v. 7, n. 01, 2019. Disponível em: https://periodicos.ufpa.br/index.php/nra/article/view/6979. Acesso em: 21 set. 2025.
BRASIL DE FATO. Assentadas há anos, 120 famílias do Acampamento Zé Maria do Tomé, no Ceará, correm risco de despejo, 2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=UsOZ85QyyCc&t=11s. Acesso em: 15 ago. 2025.
COSTA, Maria de Fátima Vasconcelos da; PEREIRA, Jaquelândia Aristides; SANTOS, Núbia Agustinha Carvalho; ASTIGARRAGA, Andrea Abreu; SILVA, Maria Saraiva da. (Org.). Infância e relações etnorraciais em pesquisa. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2017.
DIAS, Vanessa Gonçalves; SILVEIRA, Dynara Martinez; NASCIMENTO, Daniel do. Brincar, sorrir, lutar por reforma agrária popular: a experiência de auto-organização das crianças sem-terrinha do MST/RS. Revista Trabalho necessário, v. 17, n. 34, set./dez., 2019.
FOUCAULT, Michel. A Hermenêutica do Sujeito. São Paulo: Martins Fontes, 2010.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 62. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2016.
FREITAS, Bernadete Maria Coêlho. Campesinato, uso de agrotóxicos e sujeição da renda da terra ao capital no contexto da expansão da Política Nacional de Irrigação no Ceará. 2017. Tese (Doutorado em Geografia Humana) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017.
GOHN, Maria da Glória. Movimentos Sociais: espaços de educação não formal da sociedade civil. [S.l.]: Universia, 2004.
GOHN, Maria da Glória. Movimentos sociais na contemporaneidade. Universidade Estadual de Campinas. Revista Brasileira de Educação, v. 16 n. 47 maio/ago. 2011.
KRUPSKAYA, Nadezhda Konstantinovna. A construção da Pedagogia Socialista. São Paulo: Expressão Popular, 2017.
LIMA, Tânia Maria. Marchas da infância: práticas educativas e discursivas de resistência das crianças do acampamento José Maria do Tomé – Chapada do Apodi-CE. Dissertação (Mestrado Acadêmico em Educação e Ensino) – Programa de Pós-Graduação em Educação e Ensino, Universidade Estadual do Ceará, Limoeiro do Norte, 2019.
MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA. Educação da Infância Sem Terra: Orientações para o trabalho de base. São Paulo: Secretaria Nacional do MST, 2011.
ROSSETTO, Edna. Crianças sem-terrinha em movimento: brincando, cantando na luta pela Reforma Agrária. In: SILVA, Isabel de Oliveira e; SILVA, Ana Paula Soares da; MARTINS, Aracy Alves (Orgs.). Infâncias do campo. Belo Horizonte: Autentica, 2013. (Coleção Caminhos da Educação do Campo).
ROSSETTO, Edna. Essa ciranda não é minha só, ela é de todos nós: a educação das crianças sem terrinha no MST. Campinas, SP: [s.n.], 2009.
SANTOS, Patrícia Oliveira dos; SILVA, Antonio Luiz da; PIRES, Flávia Ferreira. Infâncias rurais: diálogos interdisciplinares. Temáticas: revista dos pós-graduandos em ciências sociais, v. 26, n. 51, 2018.
TV DA GENTE QUIXERÉ, JOSE ARI. Acampamento Zé Maria do Tomé, Limoeiro do norte CE. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=GL5545lJik8. Acesso em: 02 jan. 2019.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista Educação e Emancipação

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Declaração de Responsabilidade e Transferência de Direitos Autorais
Como condição para a submissão, os autores devem declarar a autoria do trabalho e concordar com o Termo de Transferência de Direitos Autorais, marcando a caixa de seleção após a leitura das cláusulas):
- Certifico que participei da elaboração deste trabalho;
- Não omitir qualquer ligação ou acordo de financiamento entre os autores e instituições ou empresas que possam ter interesses na publicação desse trabalho;
- Certifico que o texto é original isento de compilação, em parte ou na íntegra, de minha autoria ou de outro (os) autor (es);
- Certifico que o texto não foi enviado a outra revista (impressa ou eletrônica) e não o será enquanto estiver sendo analisado e com a possibilidade de sua publicação pela Revista Educação e Emancipação;
- Transfiro os direitos autorais do trabalho submetido à Revista Educação e Emancipação, comprometendo-me a não reproduzir o texto, total ou parcialmente, em qualquer meio de divulgação, impresso ou eletrônico, sem que a prévia autorização seja solicitada por escrito à Revista Educação e Emancipação e esta a conceda.

Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.










