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  • Michel Foucault, 100 anos: arqueogenealogias do presente

    2026-04-14

    Em 1926 nascia um dos intelectuais mais instigantes do século XX, Michel Foucault. Para uns, filósofo; para outros, historiador das formas de pensamento; para si mesmo, em uma escrita de si, um “pirotécnico”. Em 2026, celebramos o centenário desse pensador que fez da teoria uma prática de desestabilização, produzindo verdadeiras explosões nos modos de pensar o saber, o poder e o sujeito. Sempre provocativo, Foucault nos lembra que “os começos são sempre solenes”. E é sob o signo dessa solenidade — que não se confunde com reverência, mas com gesto inaugural de problematização — que este dossiê se constitui como um convite à retomada, deslocamento e reinscrição de seu pensamento no presente. Mergulhar em Foucault é aceitar o desafio de pensar “não aquilo que somos, mas aquilo que estamos em vias de nos tornar”, interrogando os regimes de verdade que nos atravessam e as práticas que nos constituem. Se, como afirma Foucault, “cada sociedade tem seu regime de verdade, sua ‘política geral’ de verdade”, torna-se urgente investigar os modos pelos quais tais regimes se atualizam nas múltiplas materialidades discursivas contemporâneas. Interessa-nos, portanto, acolher trabalhos que examinem regularidades, rupturas e dispersões que compõem os campos do dizível e do visível, colocando em análise os dispositivos que governam condutas, produzem saberes e fabricam subjetividades. Ao propor uma “ontologia do presente”, Foucault nos incita a pensar a crítica não como denúncia exterior, mas como prática imanente: “a crítica é a arte de não ser governado”. Nesse sentido, este dossiê convida pesquisadores (doutores; doutorandos e mestrandos com seus respectivos orientadores) a mobilizar as ferramentas arqueogenealógicas para investigar discursos, práticas e instituições, explorando as condições de possibilidade que tornam certos enunciados pensáveis, dizíveis e legítimos, ao mesmo tempo em que silenciam outros.

    Mais do que um retorno comemorativo, trata-se de um exercício de atualização: como operar com Foucault hoje? Como suas noções de formação discursiva, dispositivo, governamentalidade e subjetivação permitem problematizar fenômenos contemporâneos da educação às mídias digitais, do turismo às políticas públicas, das práticas de si às economias do visível?

    Se “o saber não é feito para compreender, mas para cortar”, este dossiê se propõe como espaço de cortes, fissuras e deslocamentos. Nesse horizonte, acolhem-se trabalhos que não apenas mobilizem o pensamento de Foucault, mas que o façam funcionar, tensionando seus conceitos, explorando seus limites e produzindo novas possibilidades analíticas.

    Outras informações importantes

    Os critérios adotados para a seleção dos trabalhos serão ineditismo, originalidade, clareza, relevância para a área e conformidade com as diretrizes da revista.

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