A política da inimizade como genealogia da pós-verdade

Autores

  • Hugusnardo Felix Université de Toulouse II

Palavras-chave:

pós-verdade; política; verdade; democracia; emoções; inimizade

Resumo

Este artigo explora a genealogia da pós-verdade, situando-a no contexto de uma política da inimizade. Analisamos como esse fenômeno, frequentemente percebido como uma ameaça à democracia liberal, surge de uma crise epistêmica e política relacionada ao questionamento das autoridades tradicionais de produção do conhecimento. Mobilizando pensadores como Foucault, Arendt, Mbembe e Schmitt, mostramos que a pós-verdade não é simplesmente uma rejeição da verdade, mas uma reconfiguração das relações entre poder, conhecimento e emoções num contexto de fragmentação social e desconfiança nas instituições. O estudo traça a evolução da pós-verdade desde as suas origens mediáticas até à sua instrumentalização política. Ela destaca o papel das redes sociais na amplificação das bolhas epistêmicas, onde a emoção substitui a racionalidade. Também questionamos o impacto do (neo)liberalismo e do capitalismo emocional nessa dinâmica, ressaltando como a economia dos dados alimenta uma polarização do discurso. Por fim, o artigo propõe uma leitura crítica da pós-verdade como sintoma de uma ordem política em crise, onde a democracia representativa é minada por lógicas oligárquicas e uma guerra de narrativas. Mais do que uma simples ruptura com a verdade, a pós-verdade revela as contradições de um sistema onde conhecimento e poder permanecem inextricavelmente ligados.

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Publicado

2026-08-23

Como Citar

FELIX, Hugusnardo. A política da inimizade como genealogia da pós-verdade. Barricadas: Revista de Filosofia e Interdisciplinaridade, Bacabal, v. 4, n. 1, p. 108–136, 2026. Disponível em: https://www.periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/barricadas/article/view/26773. Acesso em: 24 ago. 2026.

Edição

Seção

Artigos