Emoção, cognição e desafio intelectual na aprendizagem matemática
fundamentos da neuroeducação para a educação básica
Palavras-chave:
Emoção e cognição, Neuroeducação, Ansiedade matemática, Autorregulação, Ensino de matemáticaResumo
A aprendizagem matemática, durante décadas, foi compreendida sob uma perspectiva racionalista que dissociava emoção e razão. Contudo, avanços nas ciências cognitivas e na neurociência têm demonstrado que processos emocionais e cognitivos operam de forma integrada no funcionamento cerebral, influenciando diretamente a construção do conhecimento. Este estudo, de natureza qualitativa e teórico-bibliográfica, tem como objetivo analisar de que maneira fatores emocionais interferem nos processos cognitivos envolvidos na resolução de problemas matemáticos e na autorregulação da aprendizagem na Educação Básica. Fundamentado em autores como Damasio, Immordino-Yang, Efklides, Schoenfeld, Zimmerman, Kapur e Howard-Jones, o trabalho discute a integração entre emoção e cognição, os impactos da ansiedade matemática na memória de trabalho, o papel da metacognição e da autorregulação, bem como a importância do desafio intelectual e do erro produtivo no processo de aprendizagem. Os resultados da análise indicam que estados emocionais positivos favorecem o engajamento cognitivo, ampliam a capacidade de resolução de problemas e fortalecem processos metacognitivos, enquanto emoções negativas, como a ansiedade matemática, podem comprometer a memória de trabalho e dificultar o raciocínio lógico. Evidencia-se ainda que práticas pedagógicas que incentivam o enfrentamento de desafios, a reflexão sobre erros e o desenvolvimento da autorregulação contribuem significativamente para aprendizagens matemáticas mais consistentes. Conclui-se que práticas pedagógicas que articulem rigor cognitivo e suporte emocional favorecem aprendizagens mais profundas, críticas e duradouras, desde que a incorporação de fundamentos da neuroeducação ocorra de forma crítica e contextualizada.
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