Sobre a noção de sentimento: um diálogo entre Schopenhauer e Freud
Mots-clés :
Freud, Schopenhauer, Inconsciente, Vontade, Pulsão, EstéticaRésumé
O presente artigo examina a possibilidade do conhecimento do que se dá em domínio inconsciente, a partir de aproximação entre a filosofia de Arthur Schopenhauer e a psicanálise de Sigmund Freud. Para tanto, a noção de sentimento [Gefühl] é reconhecida como aquilo que contempla o que não se restringe ao racional e conceitual. Inicialmente, justifica-se essa interlocução por razões históricas e teóricas, com ênfase à afinidade do pensamento dos autores quanto à crítica aos limites da razão, da consciência e da representação. Em Schopenhauer, o sentimento é compreendido como o oposto do conhecimento abstrato, forma imediata e fundamental da apreensão intuitiva da realidade, e desempenha papel central em sua teoria do conhecimento. Na contemplação estética, viabilizada pelo sentimento de satisfação, é possibilitado o acesso às Ideias, o que configura modo privilegiado de conhecimento para além do fenômeno. Em Freud, é a análise dos sentimentos inconscientes que auxilia o desvelamento do funcionamento anímico profundo, de modo que sua metapsicologia deve se ocupar daquilo que está para além dos limites da representação consciente. Conclui-se que, apesar das diferenças entre seus projetos teóricos, ambos os autores reconhecem no sentimento e na intuição caminhos privilegiados para apreensão do essencial dos fenômenos que investigam, de modo que a atividade artística oferecerá o paradigma epistemológico para enfrentamento dos limites do conceito e da representação.
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