Máscaras sociais, neurodivergência e normatividade institucional
uma autoetnografia crítica da experiência docente no ensino superior
Palavras-chave:
Neurodivergência, Masking, Docência universitáriaResumo
Este artigo analisa a experiência da docência no ensino superior a partir de uma perspectiva autoetnográfica crítica, focalizando a relação entre neurodivergência, masking (uso de máscaras sociais) e normatividade institucional. Partindo da vivência de um professor autista, cuja atuação pedagógica não apresenta prejuízos técnicos, o estudo desloca o debate da competência didática para os regimes implícitos de reconhecimento que estruturam o pertencimento acadêmico. Argumenta-se que o masking, mais do que estratégia adaptativa individual, opera como tecnologia de normalização no interior do campo universitário, regulando formas legítimas de presença, comunicação e interação. Em diálogo com aportes teóricos sobre performatividade, reconhecimento, habitus e capacitismo, o texto evidencia que a inclusão formal pode coexistir com exigências tácitas de adequação comportamental. A autoetnografia é assumida como posicionamento epistemológico que permite articular experiência singular e crítica estrutural, tornando visível o custo subjetivo da inteligibilidade docente. Conclui-se que a ampliação do debate sobre inclusão no ensino superior requer a problematização das normas relacionais que sustentam a vida institucional, reconhecendo a diversidade cognitiva também no corpo docente.
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