A universidade como um “viveiro” de vocações políticas: carreira profissional, notabilização intelectual e afirmação política

Igor Gastal Grill, Eliana Tavares dos Reis

Resumo


Os processos de institucionalização do sistema universitário brasileiro e da formulação de problemáticas políticas legítimas progressivamente forjadas nesse espaço são tributários da intervenção de agentes que se notabilizam, indissociavelmente, como intelectuais e como políticos. Visando refletir sobre as intersecções entre domínios políticos e culturais, o ponto de partida para este artigo foi uma pesquisa mais ampla que delimitou 299 casos de deputados e senadores, atuantes entre 1945 e 2010, cujos perfis são marcados pela longevidade das suas carreiras políticas (eletivas e administrativas) e pela significativa dedicação à produção escrita. Entre eles, foram identificados 40 parlamentares singularizados também por sua atuação profissional como professores de ensino superior e, ainda, pela ocupação de cargos acadêmicos de gestão. A partir disso, cotejamos indicadores de origens sociais e de inserções culturais e políticas – sem perder de vista as diferentes e sucessivas circunstâncias históricas – delineando a composição de uma “elite universitária e
política” que pertence a um segmento de uma “elite letrada e votada”. A retroalimentação entre prestígio acadêmico, vinculação com espaço político-partidário e ocupação de cargos administrativos de relevo fica particularmente evidente em casos de agentes que chegaram à posição de reitor em condições específicas de reconfiguração das universidades no Brasil.


Palavras-chave


Elites; Universidade; Política; Intelectual; Cultura

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DOI: http://dx.doi.org/10.18764/2236-9473.v12n23p61-90

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ISSN 2236-9473 (online)

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