Escrita de si, cuidado de si e governamentalidade: costuras prováveis em Carolina Maria de Jesus

Fabiana Rodrigues Carrijo

Resumo


Este ensaio investigou, a partir de uma análise teórico-metodológica, repousada nos estudos foucaultianos,
como um sujeito de um discurso constitui sua subjetividade através do exercício de uma
escrita de si. Ele elenca as singularidades desta escrita de si, especialmente, por intermédio de dois
diários íntimos de Carolina Maria de Jesus, notadamente, a partir do Quarto de despejo (1960) e Diário
de Bitita2 (2007). Os estudos ora apresentados intencionam discutir o sujeito como um sujeito
da escrita que se vale dela com o intuito de preservar o dia vivido na esperança blanchotiana de que
se deve anotar para preservar e preserva-se para não passar incólume.


Palavras-chave


Escrita de si. Discursividade literária. Carolina Maria de Jesus. Análise do Discurso. Foucault.

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