RELAÇÕES DE PODER NO PROCESSO DE TRABALHO DAS AÇÕES DE CONTROLE DA DENGUE / RELATIONS OF POWER IN THE WORKING PROCESS OF DENGUE CONTROL ACTIVITIES

Arlete Rose Oliveira Santos, Antônio Augusto Moura Da Silva, Fernando Lamy Filho, Rosangela Fernandes Lucena Batista, Maria Teresa Seabra Soares de Britto e Alves, Lívia Janine Leda Fonseca Rocha, Zeni Carvalho Lamy, Marianne de Carvalho Rodrigues

Resumo


Introdução: O agente transmissor da dengue possui grande força de transmissão, tornando-a um problema de saúde recorrente. Campanhas preventivas são constantemente realizadas por agentes de endemia no intuito de controlar a ocorrência da doença. O exercício do poder no programa de controle da dengue tem sido avaliado como hierarquizado e autoritário, o que dificulta o controle da epidemia. Objetivos: analisar as relações de poder estabelecidas entre gestores, agentes de endemias e comunidade no processo de trabalho das ações de controle da dengue, em bairro endêmico no município de São Luís (MA). Métodos: Foi utilizada pesquisa qualitativa, por meio de entrevista semiestruturada utilizando análise de conteúdo, com gestores, agentes de endemias e pessoas da comunidade. Resultados: O processo de trabalho é marcado pela hierarquia, obediência e separação entre o pensar e o fazer. Os agentes desenvolvem suas ações sem espaço para soluções criativas diante das dificuldades do campo. A organização hierarquizada torna os agentes passivos e compromete o trabalho. Os moradores se dizem colaborativos, em contradição com a percepção dos agentes. Conclusão: Apesar da proposta de descentralização, as ações de controle da dengue ainda se mantêm subordinadas a forte hierarquia. O agente tem sua autonomia diminuída, convivendo com a tensão gerada pelo cumprimento das metas ordenadas por seus superiores e o exercício de poder da comunidade, que reage ao cumprimento de determinações autoritárias. O não exercício do diálogo impede negociações que facilitem a incorporação do saber científico pela comunidade e sua adesão às propostas de controle da epidemia.

Palavras-chave: Dengue. Serviços de saúde comunitária. Poder.

Abstract
Introduction: The causative agent of dengue has great strength of transmission what makes it a persistent health problem. Agents of endemic diseases constantly perform preventive campaigns in order to control endemic disease occurrence. The exercise of power in the dengue control program has been reported as hierarchical and authoritarian in that in turn, makes difficult to control the epidemic. Objectives: To analyze the relations of power established between managers, agents of endemic diseases and the community in the working process for control of dengue in an endemic area in São Luís, Maranhão, Brazil. Methods: We used a qualitative research method by semi-structured interviews using the content analysis that was performed with managers, agents of endemic diseases and individuals in the community. Results: The working process is marked by the hierarchy, obedience and separation of thinking from doing. The agents develop their activities without chances for creative solutions before the difficulties faced in the field. The rigid hierarchical organization makes the agents work passively what in turn undertakes the work. Residents say they are collaborative, which contradicts the perception of agents. Conclusion: Despite the proposal of decentralization, actions to control dengue remain subject to strong hierarchy. Agents have very limited autonomy and have to deal with the tension generated by the achievement of targets ordered by their superiors and the power exercise of the community which reacts to the authoritarian determinations. The lack of dialogue makes incorporation of scientific knowledge by the community difficult and impairs its adherence to the proposed epidemic control actions.

Keywords: Dengue. Community health services. Power.

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