Sobre a Revista

Periódico ligado ao Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Maranhão (PGLetras-UFMA).

Missão: Destina-se à publicação de trabalhos científicos e culturais produzidos por pesquisadores, docentes e discentes ligados a programas de pós-graduação da UFMA e de outras instituições de ensino.

Um dos capítulos mais importantes dessa trajetória é a criação da revista Littera, na década de 1990. Fundada com o objetivo de socializar pesquisas sobre língua e literatura desenvolvidas por professores-pesquisadores da UFMA, a Littera teve sua primeira edição publicada em 1994. Desde então, a revista se empenha na disseminação da produção científica na área de Letras, sendo um veículo essencial para a comunicação acadêmica.

 

ISSN 2177-8868

Periodicidade: Semestral

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Michel Foucault, 100 anos: arqueogenealogias do presente

2026-04-14

Em 1926 nascia um dos intelectuais mais instigantes do século XX, Michel Foucault. Para uns, filósofo; para outros, historiador das formas de pensamento; para si mesmo, em uma escrita de si, um “pirotécnico”. Em 2026, celebramos o centenário desse pensador que fez da teoria uma prática de desestabilização, produzindo verdadeiras explosões nos modos de pensar o saber, o poder e o sujeito. Sempre provocativo, Foucault nos lembra que “os começos são sempre solenes”. E é sob o signo dessa solenidade — que não se confunde com reverência, mas com gesto inaugural de problematização — que este dossiê se constitui como um convite à retomada, deslocamento e reinscrição de seu pensamento no presente. Mergulhar em Foucault é aceitar o desafio de pensar “não aquilo que somos, mas aquilo que estamos em vias de nos tornar”, interrogando os regimes de verdade que nos atravessam e as práticas que nos constituem. Se, como afirma Foucault, “cada sociedade tem seu regime de verdade, sua ‘política geral’ de verdade”, torna-se urgente investigar os modos pelos quais tais regimes se atualizam nas múltiplas materialidades discursivas contemporâneas. Interessa-nos, portanto, acolher trabalhos que examinem regularidades, rupturas e dispersões que compõem os campos do dizível e do visível, colocando em análise os dispositivos que governam condutas, produzem saberes e fabricam subjetividades. Ao propor uma “ontologia do presente”, Foucault nos incita a pensar a crítica não como denúncia exterior, mas como prática imanente: “a crítica é a arte de não ser governado”. Nesse sentido, este dossiê convida pesquisadores (doutores; doutorandos e mestrandos com seus respectivos orientadores) a mobilizar as ferramentas arqueogenealógicas para investigar discursos, práticas e instituições, explorando as condições de possibilidade que tornam certos enunciados pensáveis, dizíveis e legítimos, ao mesmo tempo em que silenciam outros.

Mais do que um retorno comemorativo, trata-se de um exercício de atualização: como operar com Foucault hoje? Como suas noções de formação discursiva, dispositivo, governamentalidade e subjetivação permitem problematizar fenômenos contemporâneos da educação às mídias digitais, do turismo às políticas públicas, das práticas de si às economias do visível?

Se “o saber não é feito para compreender, mas para cortar”, este dossiê se propõe como espaço de cortes, fissuras e deslocamentos. Nesse horizonte, acolhem-se trabalhos que não apenas mobilizem o pensamento de Foucault, mas que o façam funcionar, tensionando seus conceitos, explorando seus limites e produzindo novas possibilidades analíticas.

Outras informações importantes

Os critérios adotados para a seleção dos trabalhos serão ineditismo, originalidade, clareza, relevância para a área e conformidade com as diretrizes da revista.

Saiba mais sobre Michel Foucault, 100 anos: arqueogenealogias do presente

Edição Atual

v. 16 n. 32 (2025): Letras e Notas: Intersecções entre Literatura e Música I
Capa da Revista Littera com informações da edição de 2025 de Literatura. Cor de fundo amarelo queimado.

Esse dossiê temático teve origem na colaboração entre a Universidade Federal do Maranhão e a Université Bordeaux Montaigne, na França. Professores, estudantes e pesquisadores das duas instituições realizaram o evento Musiques Brésiliennes Plurielles no âmbito da temporada cruzada França-Brasil que ocorreu de 3 a 5 de abril de 2025, com objetivo de aprofundar os estudos universitários sobre música, literatura e tradução cultural bem como levar a música brasileira e a reflexão a seu respeito para um público mais amplo na cidade de Bordeaux, no sudoeste da França. 

Partindo desse evento, decidimos continuar e aprofundar a reflexão sobre as intersecções entre música e literatura realizando esse dossiê, que busca explorar os diálogos possíveis entre palavra e melodia, investigando como as canções interagem com os textos literários e como a literatura incorpora elementos musicais em sua estrutura, temática ou estilo. O tema abarca abordagens que examinem as intersecções entre poesia e música, a influência de tradições musicais na literatura, ou mesmo as narrativas que evocam o ritmo, o timbre e as emoções da canção.  

Os textos aqui apresentados podem ampliar as pesquisas que sondam, por diferentes vias, as tensões entre palavra, som, silêncio, memória e forma. Da poesia à cena teatral, da canção à narrativa, do luto ao endereçamento, delineia-se um campo de reflexão no qual literatura e música aparecem menos como objetos isolados do que como práticas simbólicas que interrogam os limites da linguagem, da experiência e da comunicação. O conjunto revela, assim, não apenas a vitalidade dos diálogos entre artes e saberes, mas também sua potência crítica para pensar as formas contemporâneas de sensibilidade, expressão e vínculo social. Este dossiê terá ainda mais dois números.

Organizadoras do volume:

Cacilda Bonfim

Emilie Geneviève Audigier

Ilana Heineberg

Maria Aracy Bonfim

Publicado: 2025-12-30

Ficha Técnica

Apresentação

Dossiê Temático

Seção Livre

Entrevista

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Os trabalhos devem ser inéditos. Além de artigos científicos, admite a publicação de resenhas de obras recentes (de no máximo dois anos) e entrevistas.