TURISMO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: Uma análise a partir do consumo da água na ilha da Boavista, Cabo Verde

Nélida do Rosário da Luz

Resumo


Sendo um dos setores econômicos de mais rápido crescimento no mundo, o turismo é cada vez mais reconhecido como um contribuinte para criação de emprego, riqueza e redução da pobreza. O turismo constitui atualmente a maior atividade mundial de serviços, aproximando-se da indústria petrolífera e automóvel. Porém, apesar das contribuições económicas e sociais, são observados impactos sobre o meio ambiente. Dessa forma há uma crescente preocupação em se avaliar os impactos do turismo sobre o meio ambiente, especialmente no processo de degradação que pode afetar os recursos naturais que são utilizados no desenvolvimento destas atividades e a irreversibilidade deste processo. De entre os recursos naturais impactados pelo turismo a água, pela sua importância enquanto um bem primordial na vida na Terra, justifica o aprofundamento de estudos e pesquisas com vista a um melhor conhecimento dos modelos mais adequados para cada contexto socio-ambiental. Cabo Verde tem estado no centro do desenvolvimento turístico da costa ocidental africana. Em consequência os efeitos menos virtuosos têm emergido rapidamente, deixando algumas marcas. A maioria das iniciativas turísticas implementadas está centrada num reduzido número de ilhas produzindo impactos ambientais e sociais significativos, nem sempre positivos. O segmento de turismo dominante é o sol-praia e tem como polos essenciais as ilhas do Sal e da Boavista, onde se impõe com uma força esmagadora sobre os frágeis ecossistemas insulares. Este artigo tem como principal foco analisar o turismo e desenvolvimento sustentável em Cabo Verde a partir do consumo da água pelas Unidade Hoteleiras da ilha da Boavista. Buscou-se, através do consumo da água, analisar os impactos que a expansão do turismo tem provocado face a escassez hídrica e a crescente demanda pela água. Para o levantamento de dados iniciamos com uma exaustiva revisão bibliográfica sobre a temática; e num segundo momento analisamos os dados sobre a produção e o consumo de água, tendo por base amostra um total de 6 estabelecimentos hoteleiros que tendo o ano 2017 como referencia. Concluiu-se que a evolução da taxa média de crescimento de consumo de água tem apresentado um comportamento muito semelhante à taxa de crescimento de entrada de turistas registadas no mesmo período. Apesar de ter ficado evidente que há outros elementos a se ter em conta em futuros estudos, confirma-se que existe uma relação direta entre o tamanho dos empreendimentos e o nível de eficiência no consumo de água, ou seja, quando maior é o empreendimento mais probabilidade tem de consumir mais água por cama.


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