AVALIAÇÃO DA PEGADA HÍDRICA DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS DA CIDADE DE GRAJAÚ (MARANHÃO, BRASIL)

Deboranh Suellen Lobo Campos, Cleonilda Ribeiro Silva, Diego Sousa Campos, Luís Fernando Carvalho-Costa

Resumo


O estado do Maranhão (Nordeste do Brasil), ao contrário dos outros estados nordestinos do Brasil, tem fontes abundantes de água doce, mas que, apesar disso, podem vir a ter problemas de abastecimento no futuro, tendo em vista o aumento das agressões ambientais que estes recursos vem sofrendo. Nossa dependência dos recursos hídricos tende a aumentar no futuro e isso trará problemas para a segurança alimentar e a sustentabilidade ambiental. Assim, é importante conhecer os padrões de uso dos recursos hídricos e suas forças motrizes, a fim de compreender melhor o desafio de conservá-los. Neste estudo, avaliamos a pegada hídrica de estudantes universitários moradores da cidade de Grajau, no centro-sul do Maranhão, para compreender seus padrões de consumo e sua relação com variáveis como renda, alimentação e comportamento. O cálculo do consumo seguiu o formulário da “calculadora de pegada hídrica” (disponível em http://waterfootprint.org/en/resources/interactive-tools/personal-water-footprint-calculator/). A média da pegada hídrica foi de 1584,28 m³/ano, dos quais 77,35% foram associados aos hábitos alimentares, 19,05% ao uso doméstico e 3,6% ao consumo de produtos industrializados. Houve também diferença significativa entre as médias dos homens (1737,70 m³ / ano) e mulheres (1431,2 m³ / ano). Os principais condicionantes que podem explicar esses resultados são discutidos, colocando-os em perspectiva regional, nacional e global, bem como suas implicações para a conservação dos recursos hídricos na região.


Palavras-chave


recursos hídricos, consumo de água, bacia do Mearim.

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-0002-9590-1797 http://orcid.org/0000-0002-9590-1797


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