ZOOPLÂNCTON COMO BIOINDICADOR DA QUALIDADE AMBIENTAL NO ESTUÁRIO DO RIO ANIL, SÃO LUÍS, MARANHÃO

Ana Luiza Privado Martins, Maria José Saraiva Lopes, Odilon Teixeira de Melo

Resumo


Este trabalho foi realizado no estuário do Rio Anil, São Luís, Maranhão, onde foi analisada a estrutura da comunidade zooplanctônica, com a finalidade de serem obtidas informações sobre qualidade ambiental através do estudo da composição, densidade, diversidade, abundância relativa e freqüência de ocorrência desses organismos. Foram efetuadas coletas mensais entre dezembro/2004 e maio/2005. Fixaram-se quatro estações de amostragem, onde foram realizados arrastos horizontais na superfície da água. O material coletado foi acondicionado em frascos e conservado em formol a 4%. Dados hidrológicos também foram simultaneamente coletados. Verificou-se neste estuário uma grande densidade de organismos zooplanctônicos, sendo as larvas de Polychaeta e os nauplii de Copepoda os mais significativos. As estações à montante do estuário (1 e 2) apresentaram elevada densidade zooplanctônica e índice de diversidade reduzido, enquanto as estações à jusante (3 e 4) foram caracterizadas por apresentarem densidade reduzida e índice de diversidade mais elevado. As análises estatísticas demonstraram que a densidade apresentou correlação com o pH, o oxigênio dissolvido e os nutrientes (fosfato, amônio e nitrato), enquanto a diversidade esteve correlacionada com a salinidade, o pH, o oxigênio dissolvido e os nutrientes (exceto nitrato).

 

 

Abstract

 

ZOOPLANKTON AS BIOINDICATOR OF THE ENVIRONMENTAL QUALITY AT ANIL RIVER ESTUARY, SÃO LUÍS, MARANHÃO

 

This study was realized at Anil river estuary, São Luís, Maranhão, where was analyzed the structure of the zooplankton community, to obtain information about the environmental quality through study of composition, density, relative abundance and occurrence frequency of these organisms. Monthly collects were effectuated between December/2004 and May/2005. Four collect stations were fixed, where horizontal drags were realized in water surface. The collected material was packed in bottles and it was preserved in formol at 4%. Hydrologic variables were collected simultaneously. A big density of zooplankton organisms was verified in this estuary, and the Polychaeta larvas and the Copepoda nauplii were the most significatives. The stations in the inner of the estuary (1 and 2) presented high density of zooplankton and low diversity, while the stations at the mouth (3 and 4) were characterized to present low density and highest diversity. Statistics analyzes demonstrated that density presented correlation with pH, dissolved oxygen and nutrients (phosphate, ammonium and nitrate), while diversity was correlationed with saltishness, pH, dissolved oxygen and nutrients (except nitrate).

 

Keywords: zooplankton, Anil river, bioindicator, estuary

Palavras-chave


zooplâncton, rio Anil, bioindicador, estuário

Referências


ADEMA – ADMINISTRAÇÃO ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE. 1979. Levantamento Ecolológico para Estudo de Impacto Ambiental. Sergipe.

BAUMGARTEN, M. G. Z.; ROCHA, J. M. B. & NIENCHESKI, L. F. H. 1996. Manual de análises em oceanografia química. Rio Grande: Ed. FURG. 132 p.

BJÖRNBERG, T. K. S. 1981. Copepoda. Mar del Plata: INIDEP. 461 p.

BRASIL. 2002. Agência Nacional de Águas. A evolução da gestão dos recursos hídricos no Brasil. (Edição Comemorativa do Dia Mundial das Águas). Brasília, DF: [s.n]. 64 p.

COELHO-BOTELHO, M. J. 2002. Influência da transposição das águas do reservatório Billings para o reservatório Guarapiranga (São Paulo) na comunidade zooplanctônica. I. Período chuvoso (1997 a 2001). In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ZOOLOGIA, 24. Resumos...Itajaí: [s.n.].

DAJOZ, R. 1978. Ecologia Geral. Petrópolis: Vozes LTDA. 3 ed. 472 p.

DAY JÚNIOR, J. W.; HALL, C. A. S.; KEMP, W. M. & YANES-ARANCIBIA, A. 1987. Estuarine ecology. Chichester: A Wiley-Intercience Publication/ John Wiley & Sons. 557 p.

ESKINAZI-SANT’ANNA, E. M. & TUNDISI, J. G. 1996. Zooplâncton do estuário do Pina (Recife- Pernambuco-Brasil): composição e distribuição temporal. Rev. Bras. Oceanogr., São Paulo, 44 (1): 23-33.

GERCO. 1998. Programa Estadual de Gerenciamento Costeiro-Hidrologia. Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Coordenadoria de Programas Especiais. Governo do Estado do Maranhão. São Luís.

GOLTERMAN, H. L.; CLIMO, R. S. & OHNSTAD, M. A. M. 1978. Methods for physical and chemical analyses of freshwaters. Oxford: Blachwell Scientific Publications. 213 p.

HILLBRICHT – ILKOWSKA, A. 1972. Interlevel energy transfer efficiency in planktonic food chains. Proceedings of International Biological Programe, England.

LOPES, M. J. S. 1981. Zooplâncton no estuário do Rio Anil. São Luís-MA. Bol. Lab. Hidrob., São Luís, 4 (1): 77-96.

LOPES, R. M. 1996. Hydrography and zooplankton community structure: A comparative study among estuaries of the Juréia-Itatins Ecological Estation (Southeastern Brazil). Nerítica, Curitiba, 10: 27-40.

LOPES, M. J. S. 2000. Sub-projeto Plâncton. In: UFMA/ LABOHIDRO. Percepção Ambiental como estratégia para subsidiar o manejo do Estuário do Rio Anil, Ilha de São Luís-MA. Relatório Técnico. São Luís.

LOPES, M. J. S. 2002. Diversidade e abundância da comunidade zooplanctônica no Rio Anil, São Luís (MA), Brasil. In: Congresso Brasileiro de Zoologia, 24. Resumos... Itajaí.

LOPES, M. J. S. 2005. Variabilidade temporal da diversidade do zooplâncton em áreas estuarinas sob influência de efluente industrial na Baía de São Marcos (São Luís – MA), Brasil. In: Congresso Brasileiro de Oceanografia, 2., e Semana Nacional de Oceanografia, 17. Resumos... Vitória.

NEUMANN-LEITÃO, S.; MATSUMURA-TUNDISI, T. & CALIJURI, M. D. 1991. Distribuição e aspectos ecológicos do zooplâncton da represa do Lobo (Broa) – São Paulo. In: ENCONTRO BRASILEIRO DE PLÂNCTON, 4. Anais... Recife: [s.n].

NEWELL, G. H.; NEWELL, R. 1963. Marine plankton: a pratical guide. Hutchinson: Edutat. 221 p.

PEJLER, B. 1983. Zooplanktic indicators of trophy and their food. Hydrobiologia, [S.l], (101): 111-114.

PENNAK, R. W. 1991. Fresh water invertebrates of the United States. 3 ed. New York: John Wiley et Sons Inc.

PORTO NETO, F. F. NEUMANN-LEITÃO, S.; GUSMÃO, L. M. O.; NASCIMENTO VIEIRA, D. A. SILVA, A. P. & SILVA, T. A. 1999. Variação sazonal e nictimeral do zooplâncton no canal de Santa Cruz, Itamaracá, Pernambuco, Brazil. Trab. Oceanog., Recife, 27 (2): 43-58.

PORTO NETO, F. F. 2003. Zooplankton as bioindicator of environmental quality in the Tamandaré reef system (Pernambuco – Brasil): Anthropogenic influences and interaction with mangroves. Dissertação – Universitat Bremen, Bremen. Disponível em: . Acesso em: 07 fev. 2005.

PRIMER. 2001.Programa estatístico. Versão 5.0. [S.l]. CD-ROM.

REITAS, S. S.; SANTOS FILHA, M. M. & CARVALHO, J. 2005. Determinação de nutrientes da coluna d’água do estuário do rio Poxim – SE. In: Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química, 23. 2000, Poços de Caldas. Resumos... Poços de Caldas: SBQ. v. 3. p. 49.

SANCHES, A. K. & CAMARGO, A. F. M. 1995. Efeitos da poluição orgânica em um ambiente de mangue da ilha de Cananéia: Evidências a partir de variáveis físico-químicas e composição do zooplâncton. Naturalia, São Paulo, 20: 125-133.

SEMA/CPE/GERCO-MA. 1996. Carta da Dinâmica de Ocupação Espacial da Microrregião da Aglomeração Urbana de São Luís. Laboratório de Geoprocessamento. São Luís.

SILVA, T. A.; PARANAGUÁ, M. N.; NEUMANN-LEITÃO, S. & NOGUEIRA PARANHOS, J. D. 1996. Zooplâncton do estuário do rio Capibaribe, Recife – Pernambuco (Brasil). Trab. Oceanogr., Recife, 24: 79-102.

SOUSA-PEREIRA, P. E. & CAMARGO, A. F. M. 2004. Efeito da salinidade e do esgoto orgânico sobre a comunidade zooplanctônica, com ênfase nos copépodes, do estuário do rio Itanhaém, Estado de São Paulo. Acta Scientiarum. Biological Sciences, Maringá, 26 (1): 9-17.

STATISTICA. 2001. Programa estatístico. Versão 6.0. Estados Unidos. CD-ROM.

WATKINS, W. D. & CABELLI, V. J. 1985. Effect of fecal pollution on Vibrio parahaemolyticus densities in an estuarine environment. Appl. Environ. Microbiol., Washington (DC), v. 49, n. 5, p. 1307-1313.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2014 Boletim do Laboratório de Hidrobiologia

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

B. Lab. Hidro.

E-mail: boletimlabohidro@ufma.br

ISSN 1982-6421 (Online)