ORGANIZAÇÃO SOCIAL E ASPECTOS TÉCNICOS DA ATIVIDADE PESQUEIRA NO MUNICÍPIO DE VIGIA – PA

Keila Renata Moreira Mourão, Ludmila Assunção Pinheiro, Flávia Lucena

Resumo


O município de Vigia é um dos principais municípios no que diz respeito a volume de pescado desembarcado, capturado no Estuário do Amazonas, e ocupa o segundo lugar em volume de captura no Estado do Pará. O presente trabalho descreve a atividade pesqueira no município de Vigia, enfocando os aspectos sociais e técnicos da pesca artesanal e industrial. A organização social é caracterizada, bem como as principais artes de pesca, embarcações utilizadas, processo de operação de pesca e zonas de pesca. As informações foram obtidas em entrevistas realizadas junto a pescadores, dirigentes da categoria, funcionários do município e em uma empresa de pesca sediada no município. A pesca artesanal está representada por uma colônia e oito associações de pescadores. Uma grande diversidade de artes de pesca é registrada em Vigia. Predominam as redes de emalhar, com malhas (medida entre nós opostos) variando entre de 50 a 320 mm, e o espinhel. O puçá e o matapi são utilizados na pesca artesanal do camarão Macrobrachium sp.; o laço e o gancho empregados na captura artesanal do caranguejo-uçá Ucides cordatus. Em relação à pesca industrial, a rede de arrasto, voltada para a captura da piramutaba Brachyplatystoma rousseauxii, e o manzuá, utilizado na captura do pargo Lutjanus spp são as atividades relevantes. As embarcações utilizadas na pesca artesanal são de casco de madeira e variam de 3 a 18 m de comprimento, enquanto que as utilizadas na pesca industrial são de casco de ferro e medem de 20 a 27 m de comprimento.

 

ABSTRACT- The city of Vigia is one of the main fishing ports in the Estuary of Amazon River. The volumes of fish disembarked rank Vigia in the second position within the state of Pará. This study focuses the social and technical characteristics of artisanal and industrial fisheries in Vigia. Interviews were carried out with skippers and enterprise managers based in Vigia. A great number of fishing techniques were reported. Gill nets, with stretched mesh sizes varying from 50 to 320 mm, and long liners dominate. The ´puçá´ nets and `matapi` (traps) are used for the artisanal catch of the shrimp Macrobrachium sp.; the ´laço´ and ´gancho´, used to capture the crab Ucides cordatus. The industrial fleet employs trawlers, for capturing the laulao catfish, and also traps, for catching the red snapper Lutjanus spp. The artisanal fishing fleet comprises wooden boats, 2 to 18 m long, whereas the industrial fishing operates with steely boats from 20 to 27 m long. The autonomy of the boats varies from one to 30 days for the artisanal fleet, with crew varying from one to 12 men.

 

Keywords: Artisanal Fishery, Industrial Fishery, Vigia, Pará State.


Palavras-chave


Pesca Artesanal, Pesca Industrial, Vigia, Estado do Pará.

Referências


ACAR - Associação de Crédito e Assistência Rural do Estado do Pará, Belém. 1976. Diagnóstico Preliminar da Pesca Artesanal nos municípios de Bragança e Vigia. Convênio PESCART / ACAR-Pará, Belém, ACAR-Pará. 33p.

BARTHEM, R. B. 1985. Ocorrência, distribuição e biologia dos peixes da Baía do Marajó, Estuário Amazônico. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Zoologia. Vol. 2(1), 15. XII, p. 49-69.

BARTHEM, R. B. 1990. Ecologia e pesca da piramutaba (Brachyplatystoma vaillantii). Tese de doutorado. Campinas. São Paulo. 268p.

BARTHEM, R. B. 2004. O desembarque na região de Belém e a pesca na foz amazônia. In: A pesca e os recursos pesqueiros na Amazônia brasileira / coordenado por Mauro Luis Ruffino. Manaus: IBAMA/Pro Várzea. 153-183p.

BARTHEM, R. B.; PRETERE Jr., M.; ISAAC, V. J.; RIBEIRO, M. C. L. B.; McGRATH, D.; Vieira, I. & Valderrama, M. 1987. A pesca na Amazônia: problemas e perspectivas para o seu manejo.

BASTOS, M. N. C.; SENNA, C. & NETO, S. V. C. 2002. Comunidades vegetais em paisagens litorâneas do estado do Pará: as restingas do Crispim e Algodoal. In: FURTADO, L.G & QUARESMA, H.D.A. Gente e Ambiente no Mundo da Pesca Artesanal. Belém. Museu Paraense Emílio Goeldi. 258 p.

BRAGA, C. F. 2002. A atividade pesqueira de larga escala nos portos de desembarque do estuário do rio Caeté, Bragança – PA. Belém, Universidade Federal do Pará. 60p. Dissertação (Mestrado).

BRITO, C. S. F. de; JÚNIOR, I. F.; TAVARES, M. C. S; SILVA, Z. C. 2002. Estatística da Pesca Marítima e Estuarina do Estado do Pará – 1997 a 2002 / Centro de Pesquisa e Gestão e Recursos Pesqueiros do Norte do Brasil (CEPNOR). Belém, PA. 56p.

BRITO, R. C. C., D. A. B. SANTOS, m. A. S. F. TORRES, and m. S. BRAGA. 1975. A pesca empresarial do Pará. IDESP. Belém. 72p.

CARVALHO, R. C. de A.; CHAVES, R. A.; CINTRA, I. H. A. 2004. Análise de custos e rentabilidade de embarcações industriais envolvidas na captura de Piramutaba, Brachyplatystoma Vaillantii (Valenciennes,1940), no estuário do Rio Amazonas, litoral Norte do Brasil. Bol. Téc. Cient. CEPNOR, Belém, v. 4 , n. 1, p. 45-56.

COBRAPHI 1984. Hidrologia e climatologia na região amazônica brasileira. Informação disponível e atividade em desenvolvimento. Seminário Internacional de Hidrologia e Climatologia da Amazônia, 23 a 27 de julho de 1984, Manaus-AM.

DIELE, K. 2000. Life history end population structure of the exploited mangrouve creb Ucides cordatus cordatus (L.) (Decapoda: Brachyura) in the Caeté estuary, North Brazil. Zentrum Für Marine Tropenokologie Center for Tropical Marine Ecology Bremen. 103p.

EGLER, W. A. & SCHWASSMANN, H. O. 1962. Limnological studies in the Amazon Estuaty. Bol. Mus. Para. Emilio Goeldi, nova sér., 1:2-25.

ESPÍRITO SANTO, R. V. 2002. Caracterização da atividade de desembarque da frota artesanal de pequena escala na região estuarina do rio Caeté, município de Bragança – Pará – Brasil. Belém, Universidade Federal do Pará. 87p. Dissertação (Mestrado).

FURTADO, L. G. 1981. Pesca artesanal: um delineamento de sua história no Pará. Belém. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi: Antropologia, 79. 49 p.

IBAMA. 1999. V. Reunião do Grupo Permanente de Estudos sobre a piramutada, realizada em Belém de 26 a 29 de agosto de 1997. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, Brasília.

IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 2004. Censo 2000. Disponível em: www.ibge.gov.br Acessado em 28 de maio de 2004.

ISAAC, V. J.; ARAÚJO, A. R.; SANTANA, J. V. 1998. A pesca no Estado do Amapá: Alternativas para seu desenvolvimento sustentável. Macapá: SEMA/GEA-BID. 132p.

ISAAC, V. J.; BRAGA, T. M. P. 1999. Rejeição de pescado nas pescarias da região Norte do Brasil. Fortaleza. p. 39 - 54.

ISAAC, V. J.; FREDOU, F. L.; HIGUCHI, H.; ESPÍRITO SANTO, R. V.; SILVA, B. B. da; MOURÃO, K. R. M.; OLIVEIRA, C. M. E.; ALMEIDA, M. C. 2005. A Atividade Pesqueira no Município de Augusto Corrêa-PA. Universidade Federal do Pará – Laboratório de Biologia Pesqueira e Manejo de Recursos Aquáticos. 250p.

LOUREIRO, V. R. 1985. Os Parceiros do Mar: natureza e conflitos social na pesca da Amazônia. Belém, Museu Paraense Emílio Goeldi, 227p.

MANESCHY, M.C. & ESCALLIER, C. 2002. Parcerias de terra: o trabalho das mulheres na pesca em Vigia, litoral do Pará. In: FURTADO, L.G & QUARESMA, H.D.A. Gente e Ambiente no Mundo da Pesca Artesanal. Belém. Museu Paraense Emílio Goeldi. 258p.

MARTINELLI, J. M. 2005. Estrutura populacional dos camarões Penaeidae no estuário do rio Caeté, litoral Norte do Brasil. Tese de doutorado. Centro de Ciências Biológicas. Universidade Federal do Pará. 174p.

MIRANDA, V. C. 1968. Glossário Paraense; coleção de vocábulos peculiares à Amazônia e especialmente a Ilha do Marajó. Belém, UFPA. 98p.

RAYOL, A. C. D. 2002. Estudo geoeconômico e ambiental dos recursos minerais dos municípios da Vigia, São Caetano de Odivelas e Colares. Trabalho de Conclusão de Curso. Centro de Geociências. Universidade Federal do Pará. 65p.

SANYO TECHNO MARINE. 1998. Draft final report for the fishery resources study of the Amazon and Tocantins rivers mouth áreas in the Federative Republic of Brazil. Tokyo. 334p.

SCHWASSMANN, H. O.; BARTHEM, R. B. & CARVALHO, M. L. 1989. A note on the seasonally shifting zone of high primary production in the Bay of Marajó, Pará, Brazil, 1983-1984. Acta. Bot. Bras., 2(1): 165-174. Suplemento.

SILVA, K. C. de. A. 2002. Aspectos bioecológicos do camarão cascudo, Macrobrachium amazonicum Heller, 1862 (Crustacea, Decapoda, Palaemonidae) no município de Vigia. Pará. Brasil. Dissertação de Mestrado. UFPA. 125p.

SOUZA, R. F. C. 2002. Dinâmica populacional do pargo, Lutjanus purpureus Poey, 1875 (Pisces: Lutjanidae) na plataforma norte do Brasil, Belém-Pa. Dissertação de mestrado. 81p.

VERISSÍMO, J. 1895. A pesca na Amazônia. Coleção Amazônica: Série José Veríssimo. Belém – PA. UFPA. 130 p.

www.ibama.gov.br. Acessado em 03 de abril de 2006.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2014 Boletim do Laboratório de Hidrobiologia

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

B. Lab. Hidro.

E-mail: boletimlabohidro@ufma.br

ISSN 1982-6421 (Online)