RESPOSTA DA ESPÉCIE Heleobia australis (GASTROPODA: HYDROBIIDAE) A VARIAÇÕES DE SALINIDADE E EXPOSIÇÃO A HIDROCARBONETOS

Raquel Neves, Carlos Alejandro Echeverría, Leandro Amaro Pessoa

Resumo


O objetivo do estudo foi avaliar o limite de tolerância da espécie Heleobia australis a variações extremas de salinidade e a presença de hidrocarbonetos. O experimento de salinidade foi conduzido utilizando-se microcosmos controle e tratamentos de aumento e redução de salinidade. A temperatura e o oxigênio dissolvido foram monitorados diariamente em todos os microcosmos e as variações de salinidade foram verificadas de 12 em 12 horas. O experimento de exposição a hidrocarbonetos foi realizado em microcosmos controle e tratamentos com adição de petróleo e diesel. A salinidade, temperatura e o oxigênio dissolvido foram monitorados diariamente apenas nos experimentos controles devido à sensibilidade dos equipamentos aos contaminantes. Em ambos experimentos, amostras de sedimento (60 ml) foram periodicamente coletadas para quantificação dos espécimes vivos e mortos. A salinidade ao final do experimento nos tratamentos de redução e aumento foi 0 e 80, respectivamente, mas a diferença de mortalidade entre os tratamentos não foi significativa (Friedman, p= 0,62). Os gastrópodes apresentaram variação no padrão de distribuição e deslocamento em função da salinidade nos microcosmos. No experimento com hidrocarbonetos foram utilizadas concentrações extremas de petróleo e diesel (500 ppm), consideradas letais ou subletais para algumas espécies. Apesar da alta concentração e de 20 dias de exposição aos contaminantes, a diferença de mortalidade entre os tratamentos não foi significativa (Friedman, p= 0,53). Os resultados obtidos no estudo suportam a hipótese que a espécie bentônica Heleobia australis é resistente e tolerante a amplas variações de salinidade e a presença de hidrocarbonetos em sistemas fechados.
Palavras-chave: tolerância, gastrópode, estratégia comportamental.

ABSTRACT

Response of the species Heleobia australis (GASTROPODA: HYDROBIIDAE) to salinity variations and hydrocarbons exposition.

The goal of the study was to assess the tolerance limits of  the species Heleobia australis to extreme salinity variations and presence of hydrocarbons. Salinity experiment was carried out using control microcosms and treatments of salinity increase and decrease. Temperature and dissolved oxygen were monitored daily at all microcosms and salinity variations were done in 12-12 hours intervals. Hydrocarbons experiment was carried out using control microcosms and treatments of petroleum and diesel. Salinity, temperature and dissolved oxygen were monitored daily only at controls because of the sensitivity of equipaments to hydrocarbons. In both experiments, sediment samples (60 ml) were collected periodically to quantify the number of specimens alive and dead. Salinity at the end of experiment  in treatments of decrease and increase was 0 and 80 S, respectivally, but the mortality did not differ significantly among treatments (Friedman, p = 0.62). Snails changed its distribution and displacement pattern according to salinity in microcosms. Extreme concentrations of petroleum and diesel were used in hydrocarbons experiment (500 ppm), being considered as lethal and sublethal to some species. Despite the high concentration and 20 days of exposition to hydrocarbons, the mortality did not differ significantly among treatments (Friedman, p =  0.53). The results of this study support that the benthic species Heleobia australis is resistent and tolerant to wide salinity variatons and hydrocarbons exposition at closed systems.

Keywords: tolerance, gastropod, behavior strategy.


Texto completo:

PDF

Referências


ABU, G.O. & DIKE, P.O. 2008. A study of natural attenuation processes involved in a microcosm model of a crude oil-impacted wetland sediment in the Niger Delta. Bioresource Technol., 99: 4761-4767,.

ALBERTONI, E.F., PALMA-SILVA, S. & ESTEVES, F.A. 2003. Natural diet of three shrimp in a tropical coastal lagoon. Braz. Arch. Biol. Technol., 46: 395-403.

AMADOR, E.S. 1997. Baía de Guanabara e ecossistemas periféricos: Homem e natureza, Brasil. Brazil: Reporte Gráfica e Editora LTDA. 539 p.

BEMVENUTI, C.E., CATTANEO, S.A. & NETTO, S.A. 1992. Características estruturais da macrofauna bentônica em dois pontos da região estuarial da Lagoa dos Patos, RS, Brasil. Atlântica, 14: 5-28.

BEMVENUTI, C.E., ROSA-FILHO, J.S. & ELLIOT, M. 2003. Changes in soft-bottom macrobenthic assemblages after a sulphuric acid spill in the Harbour of Rio Grande (RS-Brazil). Braz. J. Biol., 63:183-194.

BEMVENUTI, C.E., ANGONESI, L.G. & GANDRA, M.S. 2005. Effects of dredging operations on soft bottom macrofauna in a harbour in the Patos Lagoon estuarine region of Southern. Brazil. Braz. J. Biol., 65: 573-581.

BRANCO, C.W.C., KOZLOWSKY-SUZUKI, B. & ESTEVES, F.A. 2007. Environmental changes and zooplankton temporal and spatial variation in a disturbed brazilian coastal lagoon. Braz. J. Biol., 67: 251-262.

CARMAN, K. R., FLEEGER, J. W. & POMARICO, S. M. 1997. Response of a benthic food web to hydrocarbon contamination. Limnol. Oceanogr. Bull., 42: 561-571.

CARMAN, K.R., FLEEGER, J.W. & POMARICO, S.M. 2000. Does historical exposure to hydrocarbon contamination alters the response of benthic communities to diesel contamination? Mar. Environ. Res., 49: 255-278.

COSTA, M. F., NEUMANN-LEITÃO, S. & SOUZA-SANTOS, L. P. 2004. Bioindicadores de qualidade ambiental. Recife: Bagaço, cap.11, p. 319-352.

DEPLEDGE, M. H. 1996. Genetic ecotoxicology: an overview. J. Exp. Mar. Biol. Ecol., 200: 57-66.

DI TORO, D.M.D., ZARBA, C.S., HANSEN, D.J., BERRY, W.J., COWAN, C.E., PAVLOU, S.P., ALLEN, H.E., THOMAS, N.A. & PAQUIN, P.R. 1991.Technical basis for establishing sediment quality criteria for nonionic organic chemicals using equilibrium partitioning. Environ. Toxicol. Chem., 10: 541-1583.

ETKIN, D.S. 1999.Oil spill dispersants: From Tecnology to Policy. Arlington: Cutter Information Corp. 305 p.

FENCHEL, T. 1975. Factors determining the distribution patterns of mud snails (Hydrobiidae). Oecologia (Berl.), 20: 1-17.

FIGUEIREDO-BARROS, M.P., LEAL, J.J.F., ESTEVES, F.A., ROCHA, A.M. & BOZELLI, R.L. 2006. Life cycle, secondary production and nutrient stock in Heleobia australis (d’Orbigny 1835) (Gastropoda: Hydrobiidae) in a tropical coastal lagoon. Estuar. Coast. Shelf Sci., 69: 87-95.

FLETCHER, G.L., KICENIUK, J.W. & WILLIAMS, U.P. 1981. Effects of oiled sediments on mortality, feeding and growth of Winter Flounder Pseudopleuronectes americanus. Mar. Ecol. Progr. Ser., 4: 91-96.

GALAT, D.L., COLEMAN, M. & ROBINSON, R. 1988. Experimental effects of elevated salinity on three benthic invertebrates in Pyramid Lake, Nevada. Hydrobiologia, 158: 133-144.

HAMPTON, G. & MOUL, E. T. 1978. N° 2 fuel oil spill in Bourne, Massachusetts: immediate assessment of the effects on marine invertebrates and a 3-year study of growth and recovery of a salt marsh. J. Fish. Res. Board Can., 35: 731-744.

HAWKINS, A.J. 1998. Population responses to contaminant exposure in marine animals: influences of genetic diversity measured as allozyme polymorphism. Arch. Toxicol., 20: 429-439.

HILDREW, A.G. & TOWNSEND, C.R. 1994. Species traits in relation to an habitat template for river systems. Freshwater Biol., 31: 265-275.

KAENEL, B.R., MATTHAEI, C.D. & UEHLINGER, U. 1998. Disturbance by aquatic plant management in streams: effects on benthic invertebrates. Regul. Rivers: Res. Manage., 14: 341-356.

KJERFVE, B., RIBEIRO, C.H.A., DIAS, G.T.M., FILIPPO, A.M. & QUARESMA, V.S. 1997. Oceanographic characteristics of an impacted coastal bay: Baía de Guanabara, Rio de Janeiro, Brazil. Continent. Shelf Res., 17: 1609-1643.

LANA, P.C. 1986. Macrofauna bêntica de fundos sublitorais não consolidados da Baía de Paranaguá (Paraná). Nerítica, 1: 79-89.

LUOMA, S. N. 1977. Detection of trace contaminant effects in aquatic ecosystems. J. Fish. Res. Board Can., 34: 436-439.

MILLWARD, R.N. & GRANT, A. 1995. Assessing the impact of copper on nematode communities from a chronically metal-enriched estuary using pollution-induced community tolerance. Mar. Poll. Bull., 30: 701-706.

NYBAKKEN, J.W. & BERTNESS, M.D. 2004. Marine biology: an ecological approach. USA: Benjamin Cummings. 549 p.

REYNIER, M.V. 1996. Aspectos da morfologia de Mysidium gracile (Dana, 1852) (Crustacea-Mysidacea). Dissertação (Mestrado em Engenharia Hidráulica e Saneamento) - Universidade de São Paulo, São Paulo.

REYNIER, M.V. 2003. Efeitos de um derrame simulado de petróleo sobre a comunidade planctônica costeira em Angra dos Reis (RJ). Tese (Doutorado em Ecologia e Recursos Naturais) - Universidade Federal de São Carlos, São Paulo.

TOWNSEND, C.R., BEGON, M. & HARPER, J.L. 2003. Essentials of ecology. United Kingdom: Blackwell Publishing. 530 p.

VALENTIN, J.L, TENENBAUM, D.R., BONECKER, A.C.T., BONECKER, S.L.C., NOGUEIRA, C.R. & VILLAC, M.C. 1999. O sistema planctônico da Baía de Guanabara: síntese do conhecimento. Rio de Janeiro: Oecologia Brasilienses, v. VII, p. 35-59.

VENTURINI, N., MUNIZ, P. & RODRIGUEZ, M. 2004. Macrobenthic subtidal communities in relation to sediment pollution: the phylum-level meta-analysis approach in a south-eastern coastal region of South America. Mar. Biol., 144: 119-126.

ZAR, J. H. 1996. Biostatistical analysis, 3 ed. Prentice. 662 p.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2014 Boletim do Laboratório de Hidrobiologia

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

B. Lab. Hidro.

E-mail: boletimlabohidro@ufma.br

ISSN 1982-6421 (Online)